quarta-feira, 4 de março de 2009

o olho esquerdo tem sede de movimento

largo poesia nas folhas secas
carentes de tinta
listas de compras
telas de cristais
líquidos, sólidos ou gasosos

propagandas de prédios
de plástico
no centímetro quadrado da borda
do jornal
branco como a neve

fugindo do tumulto
ali
calado.

centímetro
quadrado de papel calado.

caladinho.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

cheiro de carne

por toda avenida tomada
sorrisos de graça
escangalham
a rotina dos carros
engarrafamentos de gente
resto de cerveja caliente
olhares em profusão

na esquina do bloco

quem nunca
brincou com a probabilidade
de alguém
o desejo do mundo
transborda
em 3 dias
pingados

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

não me venha falar das abelhas


a música serve à dança

que serve ao amor

que serve ao homem

que serve à mulher

que dança como nenhum outro ser do planeta

e faz a música
voltar a ser mousiké

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dia de Iemanjá

a inexistência de limites
o mar em meus sonhos
é o espírito

ritmo constante
movimento da harmonia
melodia
em alto mar

respeito
tanta calma
que assusta

infinitasondas
quebramnaspraias
simultâneas
infinitas ondas me tiram da terra
e me jogam
no sonho

todas as noites

Um dia pra mim
é um grão de areia

para ele,
para ela:

pro mar.

sábado, 17 de janeiro de 2009

parei para olhar o tempo que não pára

me contento no instante

contornando o ruído do mundo

dando voltas incompletas num pedaço de universo

permeando o fio
que dá o nó

do umbigo

e faz a luz nascer de novo
o dia

domingo, 11 de janeiro de 2009

cantando tocando dançando

aprendi
a ler o olhar
da mulher
que quer amar

mas o amor
você já sabe
o quanto é bom
é o quanto arde

e a saudade
é o efeito
que quem ama
leva ao peito

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

em algum lugar da amazônia


os rios que sabem
ninguém tem sede
e ser um só
é ser todos eles
enrosca as madeixas que tornam a enroscar

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