quarta-feira, 30 de novembro de 2011

hoje o dia

cor da luz

que dá vontade de só ver. Eu vi a luz que dá vontade

de só

ver

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O tempo do livro

Ontem, não sei por que, parei de ler uma crônica da Clarice Lispector para refletir sobre o tamanho da felicidade da pessoa que, pela primeira vez, colocou idéias num papel, uniu em folhas sequenciadas e nomeou a revolucionária invenção:

livro.

Até então, desconfio que as idéias eram escritas em longos pergaminhos. Ou seja, uma folha enorme, escrita de cima para baixo, que ia sendo enrolada, enrolada; quanto mais enrolado fosse o escritor.

Pensando em termos de discurso, acho que o livro tem algumas vantagens (mas não quero aqui defender que voltemos a lavar as roupas no tanque) em relação à verticalidade dos pergaminhos ou sites na internet.

Pula-se de uma página para outra com a felicidade de quem dobra uma curva pedalando e vê uma praia desconhecida despontar. Virar uma folha é como subir um degrau, avançar rumo ao desfecho mortal de um fim.

(Não se pode frear o fim de uma vida como se pode frear o fim de um livro).

Eu gosto do som sutil das páginas viradas - farfalhar das asas em vôo.

Do cheiro das folhas de papel: meu sonho de infância era ser dono de banca de jornal.

Do tato. As páginas precisam de nossas mãos, todos os livros foram escritos pelas mesmas mãos.

O que mais me deslumbra: seu tempo.

Cada livro tem um ritmo, mas não é disso que estou falando. Refiro-me ao tempo do livro. Livros não são escritos para serem lidos de uma vez.

Livros são feitos para serem degustados aos poucos: um pedaço de torta alemã ou uma noite ao lado da pessoa amada.

Um livro inunda uma tarde, uma noite, inunda uma semana. Alguns inundam meses.

Livros molham e secam. Livros gostam de se perder, mas acho que gostam mais de serem encontrados. Livros podem não ter valor algum como podem ter o maior valor do mundo. Livros bons não envelhecem, assim como idéias boas também não.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

zível

palavras;

o visível

música;

o indizível

(o silêncio é invisível

na canção indivisível)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Música

O som que faz o pensamento

Na procura da palavra que

diga.


à procura do som que exprima

Prima por não deixar

Ser vista.


Tocada, ela gosta

(precisa!)

Vir ao mundo pelo

canto.


O som que a cuca precisa

pra cuspir

no mundo

tanto

sentido.


Sentido

da superfície

ao fundo

do umbigo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Yin Yang

até a razão

tem seus 5 minutos

de romance


com razão


senão viver

seria

um relance quase mudo

razoavelmente

em vão

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

vivo

Do que eu preciso

pra escrever minhas

poesias...


Um pouco

de vida, somente

um pouco

de vida


contrapartida:

dou um pouco

da minha

ralo-tempo

todo dia


é assim

tendo vida em mim

tá feito:

sobra pra poesia

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